Jô homenageia mãe em posse na Academia Paulista de Letras

Em seu discurso de posse na Academia Paulista de Letras, José Eugênio Soares, o Jô Soares, fez várias referências aos pais, Orlando Soares e Mercedes Leal. Disse que pela primeira vez se sentia órfão, tamanho era o desejo de ter os pais ali presentes. Estendeu-se mais sobre a mãe, que morreu em decorrência de uma doença causada pelo cigarro. Contou que ela adorava puxar conversa com taxista só para poder dizer: “Sabe de quem eu sou mãe? Do Jô Soares!”. “Eu odiava isso”, confessou. Ao finalizar, o escritor, diretor, ator e apresentador lamentou que dona Mercedes não estivesse ali para ver que ele “foi aceito” na Academia. Mais tarde, quando cumprimentava o amigo Drauzio Varella e sua mulher, Regina Braga, voltou a comentar sobre a mãe. “Por que será que a gente tem vergonha dessas coisas que as mães fazem com os filhos?”, sobre bajulações que só as mães são capazes de cometer.
A cerimônia aconteceu na noite dessa quinta, dia 10, no Teatro da Academia Paulista de Letras, no Largo do Arouche, em São Paulo. Ao iniciar sua fala, o novo ocupante da cadeira 33 da APL disse que se deu conta que nunca escreveu sobre si. É sempre cobrado para escrever um livro de memórias e já tem até o título: “Memórias e Lapsos”. Mas só se lembra dos lapsos. A celebração que lhe deu o posto antes ocupado pelo escritor Francisco Marins foi testemunhada por vários amigos, como os atores Dan Stulbach, Juca de Oliveira, Cássio Scapin e Regina Braga, acompanhada do marido, o médico Drauzio Varela. Também estiveram presentes o autor Lauro César Muniz, o escritor Ignácio de Loyola Brandão, o publicitário Washington Olivetto, o jornalista Matinas Suzuki, os maestros João Carlos Martins e Júlio Medaglia, o jurista José Gregori e os demais membros da Academia Paulista. A escritora Lygia Fagundes Telles, da Academia Brasileira de Letras, foi especialmente reverenciada e compôs a mesa da posse, conduzida por Gabriel Chalita, presidente da APL, ao lado do ministro da Cultura, Marcelo Calero, e do jurista Ives Gandra Martins, que convidou Jô para o posto e foi escolhido pelo novo acadêmico para lhe apresentar como tal. Flavia Soares, a Flavinha, sua ex-mulher e eterno amor, fez-se presente na primeira fileira da plateia.
Em seu discurso, Gandra enalteceu o currículo de Jô, da televisão à literatura, passando pelo teatro, e aspectos pessoais do apresentador.
A cadeira 33 tem Teófilo Dias de Mesquita como patrono. Jô acumula 58 anos de carreira e escreveu os livros “O Xangô de Baker Street” e “O Homem que Matou Getúlio Vargas”, além de um sem número de roteiros para a TV, desde os idos da “Família Trapo”, na Record dos anos 50.

Ao lado da mulher, Regina Braga, Drauzio Varella cumprimenta o amigo, Jô, com carinho. Crédito: Cristina Padiglione