Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo

Juca de Oliveira foi muitos e foi único

Juca de Oliveira, ator, diretor e roteirista / Crédito: Renato Rocha Miranda/TV Globo

Para a geração que assistiu a “Nino, o Italianinho”, novela de Geraldo Vietri e Walther Negrão exibida em 1969 na TV Tupi, Juca de Oliveira estaria fadado a ser eternamente aquele personagem.

Mas aí veio João Gibão, o sujeito que escondia asas e voava na surreal “Saramandaia” (1976, Globo), figura emblemática do universo fantástico de Dias Gomes.

Vieram outros.Vieram muitos, e o personagem da vez sempre conseguia nos fazer embarcar num novo Juca, deixando os papéis passados na gaveta dos tipos memoráveis.

Em 1994-95, ele foi o reitor que dava nome ao remake de “As Pupilas do Sr. Reitor” no SBT, zelando pelas pupilas Débora Bloch e Luciana Braga.

Em 1998, foi o asqueroso Agenor Silva, sujeito bruto que morava em um ferro velho e inspirava a falta de civilidade dos filhos e netos em “Torre de Babel”, de Silvio de Abreu. Era, digamos, uma versão menos árida que “Feios Sujos e Malvados” – clássico italiano de Ettore Scola (1976). Juca fazia o pai de José Clementino (Tony Ramos), que planejava explodir o shopping do ex-patrão (Tarcísio Meira). Mas o projeto acabou executado, na surdina, pela peste da Sandrinha, filha de Clementino e neta de Agenor, personagem que marcava a estreia de Adriana Esteves no reinado das vilãs.

Anos mais tarde, quando a atriz alcançou o auge da maldade como Carminha em “Avenida Brasil” (Globo, 2012), seu DNA podre tinha mais uma vez o dedo de Juca de Oliveira, apresentado como seu pai na reta final do enredo de João Emanuel Carneiro. A história mostrava que Caminha não só teve a quem puxar, como podia atribuir ao pai a origem de seu péssimo caráter: o criador era muito pior que a cria.

Antes disso, Juca foi o doutor Albieri, cientista obcecado pelo êxito das experimentações em clonagem humana, uma criação da sempre inventiva Glória Perez em “O Clone” (Globo, 2001).

Ao todo, esteve em 32 novelas – a última, “O Outro Lado do Paraíso” (2018), fora casos especiais e minisséries de dezenas de capítulos, produções mais longas do que as atuais novelinhas de streaming, como “Mad Maria”, “Amazônia – de Galvez a Chico Mendes” e “Queridos Amigos” – todas da Globo.

No cinema, fez pelo menos 12 filmes longa-metragem, sem contar os documentários de que participou.

Mas foi no teatro que Juca de Oliveira se esparramou, com obras próprias e longevas. Escreveu “Meno Male”, “Hotel Paradiso”, “Caixa Dois”, “Às Favas com os Escrúpulos” e “Mãos Limpas”. E esteve em pelo menos 60 peças como ator.

Foi casado com Cláudia Mello e Maria Luíza, com quem teve a filha Isabela.

Nascido em São Roque (SP), o ator morreu neste sábado, 21 de março, aos 91 anos.

Curta nossa página no Facebook e siga-nos no Twitter

Cristina Padiglione

Cristina Padiglione