Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo

Futuro presidente da TV Cultura, José Roberto Maluf é velho conhecido de Doria

O futuro presidente da Fundação Padre Anchieta, José Roberto Maluf / Reprodução

A confirmação de José Roberto Maluf como novo presidente da Fundação Padre Anchieta (FPA) é mera formalidade.

Com candidatura ao cargo protocolada ontem, o executivo será submetido a uma sabatina com os 47 membros do Conselho da Fundação Padre Anchieta nesta quinta-feira para receber os votos do mesmo grupo na segunda-feira que vem, ratificando a indicação do governador João Doria.

Historicamente, não se tem notícia de candidato ao cargo que, indicado pelo Palácio do Governo, tenha sido recusado pelos membros do conselho. Também é de praxe que um único nome “concorra” ao cargo. Quando aconteceu de aparecerem dois possíveis aspirantes ao posto, o nome não indicado pelo palácio logo foi excluído pelos próprios conselheiros.

Como bem relatou meu colega Pedro Venceslau no “Estadão”, a escolha por Maluf preza antes de mais nada sua competência no ramo, e não as relações políticas com o governador em exercício, no caso, João Doria, como costuma acontecer com esse posto. É um perfil distinto do de Marcos Mendonça, por exemplo, escolhido por Geraldo Alckmin, um nome antes de mais nada bem quisto na ala de Alckmin do PSDB.

Mas não se pode dizer que a escolha por um nome técnico seja inédita. Outros presidentes da FPA também tiveram a premissa política mais valorizada do que a competência no ramo televisivo, lembrando que o vínculo com a área cultural também sempre teve relevância para comandar uma emissora que, afinal, atende por esse nome: Cultura.

No caso de Paulo Markun, que ocupou o cargo de 2007 a 2010, a questão cultural se aliou ao viés técnico do profissional de TV, tendo a produção de conteúdo como ponto de partida. Já Maluf tem na administração, bem mais do que na produção e criação de conteúdo,  o forte de seu histórico na TV.

Outra questão a observar é que, no caso de Doria, um homem de publicidade e TV que por anos ocupou espaço na grade semanal da TV aberta, ter alguém de sua confiança e de competência na área não são opções excludentes. José Roberto Maluf inclusive já esteve associado ao Grupo Doria e foi sócio do próprio governador. Em agosto de 2004, Maluf se tornou vice-presidente executivo da Doria Associados, empresa do atual governador de São Paulo.

Na época, o “Propaganda & Marketing”, publicação especializada no segmento, informava: “O executivo vai comandar o fortalecimento e o crescimento das empresas: a Doria Associados, responsável pelo projeto Market Plaza, pelo Campos do Jordão Convention Center e pelos eventos Fórum Empresarial, Meeting Internacional e Family Workshop; a VideoMax, que produz o Show Business, programa semanal que vai ao ar pela RedeTV!, pela TVA, NET, SKY e Directv; e a Doria Associados Editora, proprietária das revistas Arena, Fórum, Meeting e Vida em Família. Os dois executivos também lançam uma nova empresa, a Mídia Alternativa. Maluf, que está há 30 anos no mercado, já foi VP executivo da Bandeirantes e SBT, superintendente da Fundação Casper Líbero e vice-presidente da Paulistur. Hoje, além da sua atuação na Doria Associados, Maluf continua com suas empresas, inclusive como acionista e diretor geral da Spring Comunicações, que opera toda área de entretenimento, promoções e edita a revista TAM Magazine”.

José Roberto Maluf e Doria em Seminário Internacional de Líderes, ocorrido em setembro de 2017, na Câmara de Comércio. Da esq. para a dir.: Cecilia Luchía-Puig, Presidente da editora Mañana Profesional e Diretora do Líderes TV; José Roberto Maluf, Presidente do Grupo Spring de Comunicação e Diretor do Líderes TV; Senadora Ana Amélia Lemos, Comissão de Relações Exteriores do Senado; João Doria Jr, Prefeito de São Paulo; Carlos Magariños, Embaixador da Argentina no Brasil; Luis Castillo, Cônsul Geral da Argentina em São Paulo. (Divulgação)

Sendo de perfil político, cultural ou administrativo, o sonho de todo governador por trás de sua indicação para este cargo é fazer a conta da TV Cultura se sustentar com recursos que possam ir bem além da verba repassada pelo governo do Estado, fator que ainda sustenta de 70% a 80% (para ser otimista) das operações do canal.

O mandato do novo presidente da FPA começa em junho. Da eleição até lá, Mendonça ainda tem um mês no cargo.

Um dos fatores que tem divertido (mas também tensionado) os funcionários e colaboradores da Cultura, é o fato de Mendonça ter lançado uma grade inteira de nova programação a poucos dias de deixar o barco. Não seria um espanto se tudo mudasse novamente o mês que vem, com a chegada do novo chefe.

Nesta quarta, a emissora celebra seus 50 anos de vida com uma festa no Theatro Municipal de São Paulo, onde são esperados o governador, claro, e seu o possível novo presidente da Fundação, muito aguardado pelo pessoal da Cultura.

Senta que lá vem história.

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Cristina Padiglione

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