Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo

Alvo do ‘TV Pirata’, ‘Roda de Fogo’ ganha sua 1ª reprise na íntegra, pelo Viva

Tarcísio Meira no papel do empresário Renato Villar em 'Roda de Fogo'

Finalmente teremos uma novela de Lauro César Muniz no Canal Viva. Até hoje, em oito anos de existência, a emissora que vive da memória afetiva da Globo só havia se abastecido da obra de Lauro César por uma minissérie, “Chiquinha Gonzaga”.

“Roda de Fogo”, como antecipou hoje a colunista de “O Globo” Patrícia Kogut, ocupará a grade do canal a partir de julho. Nascida na Casa de Criação da Globo (grupo de autores formado por Dias Gomes, Ferreira Gullar, Euclydes Marinho, Luiz Gleiser, Joaquim Assis, Marília Garcia e Antonio Mercado), a novela teve sua primeira sinopse escrita por Marcílio Moraes, segundo relato do próprio. Lauro César foi convocado para desenvolver a trama, tendo Marcílio como coautor.

Em post publicado hoje em sua página no Facebook, Marcílio disse que espera que a novela não seja retalhada nesta reprise. É que “Roda de Fogo” foi revisitada uma única vez, em 1990, com apenas 35 de seus 179 capítulos originais. O Viva costuma exibir as novelas absolutamente na íntegra, inclusive com merchandisings de produtos e marcas que nem existem mais.

Protagonizado por Tarcísio Meira, o folhetim trazia na linha de frente o empresário Renato Villar, que  tinha um coágulo no cérebro, pronto para explodir a qualquer momento. Rico e corrupto, ele se verá obrigado a combater um dossiê de irregularidades revelado sobre uma uma de suas empresas. Enquanto tenta resolver a questão com o advogado Mário Liberato (Cecil Thiré), ele se envolve com a bela Lúcia (Bruna Lombardi), uma juíza incorruptível, designada para julgar seu caso. Sua intenção inicial era subornar a juíza, mas, claro, os dois acabam se apaixonando.

Um ponto interessante da trama era justamente o personagem de Thiré, o primeiro gay a se fazer notar como tal, embora ligeiramente enrustido, em uma novela brasileira. Segundo o “Dicionário da TV Globo”, “a censura cortou algumas cenas e diálogos sobre sexo, como aquela em que Carolina (Renata Sorrah) chamava Mário Liberato de homossexual”. Aos poucos, a história ia revelando que ia bem além da esfera profissional a relação entre ele e seu mordomo, Jacinto (Cláudio Curi), que fora torturador durante a ditadura militar.

Cecil Thiré e Cláudio Curi: homossexualidade à mostra

Enquanto o público se permitia seduzir pelo casal Tarcísio e Bruna, absolvendo as maldades dele, Liberato foi se tornando o grande malvado do folhetim.

A novela também fez história nos números da gravadora Som Livre. Sua trilha internacional ultrapassou 1 milhão de cópias do velho e bom vinil.

Por fim, “Roda de Fogo” também fez brotar a primeira grande paródia de novela na tela da própria Globo. O “TV Pirata” construiu dali o novelão “Fogo no Rabo”, com Luiz Fernando Guimarães no papel do empresário corrupto. Havia uma cena em que ele surgia em cena de cabeça baixa, erguida em um segundo, enquanto aspirava longamente as narinas, numa alusão clara a cocaína, sequência impensável para os dias atuais.

Escrito pela turma do Casseta & Planeta, que depois faria das paródias às novelas um dos pontos forte de seu humorístico na Globo, o “TV Pirata” mexicanizava “Roda de Fogo” com sequência hilárias, incluindo o icônico Barbosa, personagem de Ney Latorraca, ao lado de Louise Cardoso, Débora Bloch e Diogo Vilela. Regina Casé fazia a secretária de Reginaldo, o empresário vivido por Guimarães, enquanto Cláudia Raia era sua amante.

 

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