Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo

Globo promove nova reforma e Silvio de Abreu deixa o comando da teledramaturgia

Silvio de Abreu estava no comando das novels desde 2013 / Divulgação

Uma semana após anunciar a saída de Carlos Henrique Schroder do Entretenimento e seu desligamento da Globo para meados de 2021, a emissora informou internamente nesta sexta-feira (27) a saída de Silvio de Abreu do comando da teledramaturgia.

Ele será sucedido por José Luiz Villamarim, diretor artístico de “Amor de Mãe” e responsável por grandes trabalhos na casa, como as séries “Amores Roubados”, “Justiça”, “O Canto da Sereia” e “Onde Nascem os Fortes”.

Profissional admirada por elenco, autores e roteiristas, Mônica Albuquerque também deixará a emissora. O DAA, Desenvolvimento de Acompanhamento Artístico), comandado por ela, será extinto e suas funções serão divididas entre uma gestão para elenco de atores e outra para equipe de autores.

A saída de Abreu da função executiva foi um boato corrente ao longo deste ano, sempre desmentido pela comunicação oficial da emissora.

Desde agosto, quando Marcius Melhem deixou o comando da área de humor, Abreu passou a acumular a função, ganhando mais uma pasta além das séries, segmento que cabia a Guel Arraes até fevereiro de 2018. Abreu chegou a contar com Glória Perez na condução de séries até o início de 2019, voltando a concentrar o gênero desde então.

A Globo ainda não se manifestou. É possível que Abreu volte a escrever novelas, o que não faz desde o remake de “Guerra dos Sexos”, em 2012/13. Como executivo, supervisionou também remakes de novelas suas, como “Haja Coração” (releitura de “Sassaricando”) e “Éramos Seis”.

Villamarim, seu sucessor foi um dos diretores-gerais de “Avenida Brasil”, maior fenômeno da Globo nesta década, que tinha Waddington como diretor-artístico.

É certo que a afinidade de Waddington, novo diretor de Entretenimento da Globo, seja maior com Villamarim do que com Abreu, mas a troca de um autor por um diretor nesta cadeira deve determinar mudanças profundas na condução da supervisão de novelas e séries.

Em telenovela, diferentemente do filme do cinema, o autor é sempre o primeiro socorrista a ser convocado para apagar incêndios, como personagens ou situações que foram rejeitados pelo público. Ao mesmo tempo, Villamarim acumula acertos em diferentes formatos de dramaturgia, com êxito acima do comum no comando de séries, onde a Globo tem se esforçado para ser reconhecida com a mesma maestria que é nas novelas.

O único senão pela escolha do novo chefe é que será um desperdício tirar do dia-a-dia do set o melhor diretor artístico que a Globo tem hoje, justamente Villamarim, dono de uma compreensão rara do trabalho do ator e do caminho trilhado entre o texto cru, no papel, e sua realização na tela.

 

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