Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo

Mulher festeja morte do namorado com amante, irmão do ‘morto’: vem aí ‘2º Sol’

Vladimir Brichta e Deborah Secco fazem uma dupla do mal em '2º Sol'. Foto de João Cotta/Divulgaçã

Débora Secco diz que sua Karola, personagem malvadinha da próxima novela das nove da Globo, vai festejar a morte do namorado, Beto Falcão (Emílio Dantas), um cantor de axé decadente, com seu amante, Remy (Vladimir Brichta). Não por acaso, ele é também irmão do morto, que logo se saberá, não está morto.

Isto é João Emanuel Carneiro, autor e roteirista que faz a vida urgir em meio à narrativa do folhetim. Ele assina “Segundo Sol”, novela que substitui “O Outro Lado do Paraíso” a partir de 14 de maio, e logo no primeiro capítulo já mata e ressuscita o mocinho da trama.

Beto, cantor de axé bombado dos anos 90, agora mergulhado em dívidas e ostracismo, consegue de última hora um convite para tocar em uma festa de debutante em Aracaju, mas perde o avião. A aeronave cai e ele, em tese passageiro do voo, é dado como morto, o que provoca uma comoção nacional e uma súbita explosão de vendas de suas músicas, tornando-o conhecido até por quem nunca havia ouvido falar dele – vai aí uma pitada de inspiração no caso Cristiano Araújo, cantor sertanejo que morreu precocemente em acidente de carro, em junho de 2015.

Emílio Dantas como Beto Falcão, na 1ª fase da trama. Foto de João Cotta/Divulgação

Estamos na quarta-feira de Cinzas, fim do carnaval, em Salvador, onde a história se passa. Antes que ele possa aparecer para esclarecer o mal entendido, verá a namorada, Karola, e seu irmão e empresário, Remy, o verdadeiro responsável pelo naufrágio financeiro da família, entrarem na casinha onde mora e permanece escondido, de luzes apagadas, observando pelas frestas uma multidão de fãs que vai até lá para depositar flores e homenagens na porta. Karola e Remy tomam um susto ao ver Beto vivo, e logo o convencerão de que sua morte é a grande salvação para todos.

Na sinopse que o autor entregou à Globo, a descrição da situação se assemelha profundamente a ocasiões similares da vida real, e rir do caso é inevitável. Diz o texto:

“A notícia da morte do cantor se propaga como fogo em palha e acaba se tornando um daqueles acontecimentos que têm o curioso dom de gerar uma inesperada comoção nacional. Apesar de não ser um astro de primeira grandeza, a beleza e a juventude do rapaz aliados a uma morte tão trágica justo no finalzinho do carnaval terminam por emocionar até quem não sabia da existência do artista. Em questão de horas, Beto é elevado à categoria de mito.

Escondido dentro da casinha onde mora, no escuro, ele observa por uma fresta da janela uma multidão de fãs jogando flores na sua porta. Suas músicas ecoam pelas ruas. Sua imagem não sai da televisão, que interrompeu a programação normal para cobrir a notícia da morte trágica do jovem músico. Na tela, mulheres choram em bicas como se tivessem perdido um parente querido.”

Karola chega a dizer que a notícia de que poderia perdê-lo a fez redescobrir o quanto ela o ama – o romance ia de mal a pior. Ela e Remy vão esconder o “morto” em uma ilha longe de Salvador, e lá ele encontrará a verdadeira protagonista da história, Luzia, mais conhecida como Giovanna Antonelli. A partir daí, a trama se dá em função da tentativa de Karola tirar Luzia da estrada de Beto.

Onde os Fracos não Têm Vez

O enredo é puxado, com gente ruim operando em função de interesses exclusivamente individuais. Não é “Onde Nascem os Fortes”, título da trama das onze, mas bem poderia ser “Onde os Fracos não Têm vez”, filme dos irmãos Cohen. A história começa a ser contada em 1999, quando o acidente “mata” Beto, e logo vai se encontrar com os dias atuais.

Para Débora Secco, Karola é sua primeira vilã – “A Iris (‘Laços de Família’) era só uma menina malvada, mas não era uma vilã”, explica. Já Vladimir Brichta avisa que Remy, seu personagem, vai disputar com Laureta, personagem de sua mulher, Adriana Esteves, “o controle sobre Karola”.

Laureta, que mal é mencionada na sinopse de João Emanuel, é a verdadeira mentora de Karola. Sob a fachada de promoter da agitada Salvador, ela agencia garotas e garotos para prostituição de luxo e tem boa parte dos poderosos da capital baiana nas mãos por isso. A presença de Adriana em novela de João Emanuel, como não poderia deixar de ser, remete à grande parceria entre autor e atriz pelo sucesso de Carminha, em “Avenida Brasil”.

Belas e malvadas: Adriana Esteves volta à cena como Laureta, a mentora de Karola. Crédito: João Cotta/Divulgação

“A Karola não tem a mente tão maquiavélica, ela tem a necessidade e o desejo, mas é a Laureta que está por trás dela. Ela é a mentora”, atesta Débora, que diz que Adriana Esteves sempre foi seu maior referencial como atriz.

A direção artística é de Dennis Carvalho, com direção-geral dele e de Maria de Médicis. E por trás do título, temos a perspectiva de que todo mundo na vida merece uma segunda chance, uma concepção bem mais otimista que a da vingança, mote da atual novela das nove. Oxalá João Emanuel inspire o cenário da vida real neste Brasil, também repleto de gente má, mas ainda com seus mocinhos à espera de dias melhores.

 

 

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