Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo

‘Cidade de Deus’ ganha concerto ao vivo em exibição extraordinária

'Cidade de Deus', marco essencial da indústria cultural brasileira / Foto: Divulgação

Nos dias 28 de fevereiro e 1º de março, o Sesc 14 Bis, em São Paulo, colocará em cena o Cine Concerto Cidade de Deus. A ação é basicamente a exibição do magistral filme de Fernando Meirelles e Kátia Lund, produção da O2 Filmes, com trilha sonora executada ao vivo, em perfeita sincronia com as imagens.

“Cidade de Deus” (2002) é o filme que vejo, revejo e nunca deixo de me comover – nem de me espantar com a completa ausência de um Oscar que fosse. Como pode? O título não foi selecionado entre os finalistas a Filme Estrangeiro e tentou outras investidas no ano seguinte, após expandir sua exibição em salas dos Estados Unidos, via Miramax. Só então alcançou 4 indicações, incluindo direção e fotografia, além de montagem e roteiro adaptado, sem no entanto levar nenhum troféu para casa.

O Cine Concerto no Sesc 14 Bis contará com 11 músicos em cena, reunindo quarteto de metais, percussões, bateria, baixo, violão de sete cordas, cavaquinho e sintetizadores/samples. E não só as músicas instrumentais, mas também todas as canções presentes no filme serão executadas ao vivo, sincronizadas com as vozes dos cantores originais por meio de um sistema especialmente desenvolvido para o espetáculo. Assim prometem.

A performance certamente potencializará a força do filme que nos transporta para o contexto da favela homônima carioca nas décadas de 1960 e 1970, com uma violência que parece ter assustado os votantes do Oscar há 20 e tantos anos.

Na época, a maioria dos jurados era formada por homens brancos sem nenhuma vivência com periferia e negritude. Paralelamente, o título recebia aplausos por plateias do mundo todo e também atraía admiradores da indústria hollywoodiana, como Steven Spielberg. A montagem de Daniel Rezende chamou especialmente a atenção do cineasta de “E.T.”, que queria entender como Fernando Meirelles filmou a sequência da caça à galinha, aquele corre que abre e fecha “Cidade de Deus”.

O filme é também um divisor de águas no impulsionamento da formação de atores negros, a tal da diversidade nas telas que só entraria em voga muitos anos depois. E, óbvio, é uma aula – ou uma pós-graduação – de roteiro, pelas mãos de Bráulio Mantovani, com base no livro de Paulo Lins. “Cidade de Deus” chegou a ficar no Top5 dos Filme de Língua Não Inglesa mais vistos do mundo, e recentemente gerou um spin-off como série na HBO Max: revisitado 20 anos depois, Buscapé (Alexandre Rodrigues) segue como narrador do enredo.

Já que a música rege tudo isso – da fotografia à performance do elenco, passando por alguns dos mais afiados diálogos do cinema brasileiro – a proposta do Cine Concerto é evidenciar o papel fundamental da música na construção dramática da obra, ao mesmo tempo em que celebra “Cidade de Deus” como marco essencial da indústria cultural brasileira.

O espetáculo conta com a participação especial dos próprios compositores da trilha sonora, Antonio Pinto e Ed Côrtes, que sobem ao palco como músicos convidados. A concepção e direção do projeto são assinadas por Anselmo Mancini, referência nacional no segmento de cine concertos, responsável por criar uma experiência que funde cinema e música de forma precisa e impactante.

 

 

SERVIÇO:

Datas e horários: 28 de fevereiro, às 20 horas e 01 de março, às 18 horas

Local: Teatro Raul Cortez – Sesc 14 Bis – R. Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista, São Paulo – SP

Preços: R$ 18 (credencial plena), R$ 30 (meia) e R$ 60 (inteira)

Ingressos: https://www.sescsp.org.br/programacao/cine-concerto-cidade-de-deus/

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Cristina Padiglione

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