Formato é importante, mas conteúdo segue essencial no futuro do audiovisual
Das imagens em preto-e-branco à TV em 8K, seja em tempo real ou sob demanda, o que sempre seduziu a audiência e continuará a seduzir é o que se usa chamar de conteúdo. Não que a gente não aprecie uma boa imagem e não sinta a diferença de um bom som. E que conforto é poder ver o que se quer ver em variadas telas, na hora que mais convém.
Parêntese: Só quem viveu os tempos em que isso não era possível é capaz de valorizar a TV everywhere.
Mas nada disso vale o que pesa sem uma boa história, um enredo digno de reter a nossa atenção, seja na vertical ou na horizontal, seja em 1 minuto ou em 20 capítulos de uma hora cada.
Em painel que tive o prazer de mediar na mais recente edição do aclamado Rio2C, um dos maiores eventos da indústria criativa na América Latina, conversamos sobre o futuro do audiovisual em uma roda que somou quatro lideranças femininas do segmento, a saber: Elisabetta Zenatti, VP de Conteúdo da Netflix Latina, Julia Rueff, diretora executiva do GloboPlay, Renata Brandão, CEO da produtora Conspiração, e Patrícia Muratori, diretora geral do YouTube para a América Latina.
Falamos do êxito dos formatos verticais nas novelinhas do GloboPlay e nos vídeos do YouTube, abordamos comportamentos sobre tempo de tela e maratonas, comentamos também sobre os caminhos percorridos pelo circuito de enjanelamentos. Em meio a tudo isso, o papo revelou informações úteis, inéditas/fresquinhas. E também surpreendentes.
Muratori nos contou que uso do YouTube em televisores no Brasil superou o consumo da plataforma nos mobiles. O portal de vídeos do Google é, já faz algum tempo, o player mais visto em domicílios brasileiros depois da Globo. E entre seus incontáveis canais, acomodados em uma plataforma capaz de alimentar pequenos nichos e tribos que equivalem a uma massa de gente, soubemos que mais de milhão de pessoas assistem simultaneamente a uma missa por volta de 4h da manhã, diariamente, somando TV e celular de gente que madruga.
No quesito vertical, a Netflix avisa que o formato não está nos planos da casa – ou não em curto prazo. “Não vejo a Netflix no curto prazo apostando no conteúdo vertical. Na companhia sempre dizemos que não sabemos o futuro porque estamos sempre mudando, mas no momento, nosso foco é manter as pessoas na frente da TV, engajadas com narrativas longas, de qualidade e ambiciosas, e que impactam a sociedade”, diz Zenatti.
A executiva citou “Adolescência” como um título capaz de gerar repercussão e impacto social, e aproveitou para alimentar expectativas para “Brasil 70 – A Saga do Tri”, série que dramatiza os bastidores que antecederam a o tricampeonato da seleção brasileira no México em 1970, com aquele time dos sonhos, encabeçado por Pelé.
Desde que estreou, “A Saga do Tri” (produção da O2 Filmes) tem provocado conversas sobre o assunto – dos fatos reais aos cuidados dramatúrgicos. Falem bem ou falem mal, a produção não passa indiferente aos olhos do público, e essa conexão é ativo poderoso perseguido por profissionais da indústia.
Não à toa, “conexão” foi palavra que ganhou evidência nas ótimas intervenções de Renata Brandão durante o painel, enaltecendo daí o valor do conteúdo e da curadoria de histórias durante o painel no Rio2C.
Saímos de lá certamente mais inspiradas pela percepção da importância que o audiovisual ocupa na vida dos brasileiros, representantes de um dos povos que mais consomem vídeos no planeta.
A gente aprecia uma ceninha.

Patrícia Muratori, Renata Brandão, Julia Rueff, Elisabetta Zenatti e Cristina Padiglione / Foto: Divulgação